Eu estava sentada bem em frente a um quadro fora da linha
horizontal, que se apoiava penduricado a uma parede roxa beringela, não que eu
não goste dessa cor, mas aquela parede estava me incomodando tanto quanto o
quadro desalinhado, esperar é sempre um tédio.
Tentei descolar um papo sobre o clima seco com a secretária,
mas enquanto ela concordava, só perambulava em minha cabeça: Como ela não notou esse quadro torto!? Será que se eu for dar uma arrumadela vai
ficar chato para mim ou para ela?
Entre o desconfortável e o pós-desconforto, peguei uma revista
de fofoca, afinal saber da vida alheia pode ser bem interessante, ainda mais em
uma sala de espera, onde as revistas são como escudos para conversa fiada e
constrangedora!
Depois de ler o aviso sobre não usar mais de um copo
descartável também pendurado na parede beringela, peguei meu décimo copo, com certa
culpa, confesso, mas quem imaginaria que trinta minutos seriam uma eternidade,
como aqueles trinta minutos que você decide correr em uma esteira!? É como
passar a vida toda ali, e poder comer uma azeitona no final, um tempo jogado
fora por nada útil.
Aproveitei! O bebedouro ficava bem do lado do quadro,
encostei com jeitinho na parede e com o ombro o ajeitei, fiquei pensando na
cara da secretária que eu dei as costas para me livrar do constrangimento, andei
meio de lado até a poltrona e li novamente o aviso do copo! Um pouco estranho, mas
o quadro estava finalmente alinhado...
Esperar é sempre um
porre!
JéssicaBrejão

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